Os Vingadores 2 – A era de Ultron

Neste mês eu conheci um dos lugares mais incríveis do Brasil, Porto Seguro. De passagem pela cidade para o congresso Conecades, eu tive a oportunidade de ver bem perto o suposto lugar onde os portugueses desembarcaram em 1500. O congresso me proporcionou momentos inesquecíveis, desde a visita a cidade até as melhores pessoas que eu poderia conhecer. Acho que esta é a palavra que resume a minha viagem, conhecer. Selma, minha tia, que também é jornalista, me disse uma vez que todo jornalista precisa ter a curiosidade e a coragem de conhecer as coisas, sem medo de se arriscar. Bem, parece que os vingadores, subestimaram o significado da palavra conhecer.

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Tentando proteger o planeta de ameaças como as vistas no primeiro filme, Tony Stark (Robert Downey Jr) busca construir um sistema de inteligência artifical que cuidaria da paz mundial. O projeto acaba dando errado e gera o nascimento de Ultron (voz de JamesSpader). Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro, Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo), Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) terão que se unir mais uma vez para salvar o mundo.

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Fim

Eu penso sobre o fim. Gosto de fazê-lo e mais do que isso, não consigo deixar de pensar sobre o fim das coisas, das pessoas, dos momentos. Imagino o fim do que acabou de começar, talvez seja por querer adiar o máximo possível desse fim, talvez seja por saber que nem todas as coisas duram pra sempre, talvez eu só queira estar preparada para o momento que eu sei que irá chegar, embora eu não queira. Talvez sejam todos os ‘talvez’ juntos.

Foto desenho Ana Vitória R. Cunha

Foto desenho Ana Vitória R. Cunha

E é por isso que eu gosto tanto de fotografia. É simplesmente mágico o poder que tem de parar um momento antes que ele acabe. Eterniza-se um abraço e uma pessoa se vê pra sempre sorrindo. É reconfortante saber que aquele momento específico não vai acabar e que aquela risada vai ecoar pra sempre na mente de quem se deparar com tal foto.

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O dia em que minha bateria acabou

Como sempre, atrasada. Estranho seria se não estivesse. Às pressas, coloco tudo aquilo que me parece importante na mochila. Abro a primeira música que aparece no celular. Coloco os fones de ouvido, reforço o rabo de cavalo, ralho com meu cachorro que acaba de sujar meu jeans claro com suas patas e me olha como se fosse abandoná-lo para sempre, assim que cruzo o portão de casa.

Aí então, inicio minha caminhada rotineira de dez minutos até o ponto de ônibus. Aproveito os últimos sinais de Internet de casa para checar as mensagens do WhatsApp, limpo as notificações do Twitter que preenchem toda a parte superior da tela e quando estou prestes a abrir o print que fiz dos horários que o ônibus sai da estação mais próxima, o Android me presenteia com uma tela preta e um lindo ícone azul circundante no visor. Seria lindo se não fosse trágico: minha bateria acabara de morrer bem ali, no meio do caminho.

Tentei reanimá-lo, mas em vão. Como seriam torturantes aqueles próximos minutos eternos até a próxima estação, onde eu ainda pegaria outro ônibus para chegar ao campus. Mas agora não adianta reclamar.

Cruzo a esquina e sigo caminhando, quando avisto um lindo céu azul. Límpido, sem nenhuma nuvem, ele contrasta com uma árvore de copa alta no fim da rua, de folhas verde oliva. Essa seria uma postagem perfeita no Instagram. Queria eu que meus olhos fotografassem nesse momento.

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O fascínio pela paisagem durou pouco: vejo o ônibus chegando lentamente na avenida e corro como um raio até o ponto de parada. A busca por ar dentro do veículo jurássico é feita tão alto que passageiros começam a me encarar como uma doida recém saída do sanatório.

Acomodo-me num dos únicos assentos disponíveis. Em dias normais, à altura de uma estação como essa em que o ônibus parou agora, morreria por um sinal de wi fi. E olha que por um momento eu até peguei meu celular, apertei a tecla do meio, já prestes a deslizar o dedo para o desbloqueio da tela. É quando aquela lâmpada se acende e me lembro que não tenho bateria. Essa mesma lâmpada acomete a todos, creio eu, quando por um momento de lerdeza, numa tarde sem energia, queremos fazer um sanduíche no microondas. E o subconsciente grita: “tá sem energia, seu tapado”.

A viagem prossegue. Na próxima parada, cerca de dez pessoas entram no ônibus. Não ligo muito. Como não tenho nenhum Snap para olhar, como os rotineiros ‘boa tarde’ de pessoas que não tem mais o que fazer, observo o movimento das ruas mesmo. Não percebo que, ao me esgueirar pela janela, estico minhas pernas e esbarro nos pés de alguém logo a minha frente.

“Desculpa”, dizemos em uníssono, após um sorriso amigável dele e uma abaixada de cabeça daquelas “Senhor me esconde…” de minha parte. Os poucos segundos que nos olhamos foram de encher os olhos (ou o pouco que ainda me resta deles). Alto, de cabelos e olhos castanhos em perfeita sintonia, usava blusa de banda (Iron Maiden se não me engano. É de morrer mesmo), pulseira de hippie e tinha a maior pinta de skatista. Logo que percebeu minha ‘sem graceza’ decidiu olhar para o outro lado. Encolhi-me na cadeira e decidi fingir um cochilo até que ele descesse. Eu e essa maldita timidez.

Após algumas milhares rotatórias, ele já havia partido. Pude então respirar aliviada. Falo assim como se tratasse de um psicopata. Mas eu que sou meio coisada mesmo. Tem dias que nem eu me entendo.

Ao passar em frente ao shopping, o ônibus parou e entraram mãe e filha, se acomodando nos assentos a meu lado. A garotinha devia ter lá seus dois aninhos e me encarava com seus olhos curiosos. Estendeu sua boneca, que cruzou o corredor até a minha direção. Ela tinha roupas engraçadinhas feitas de guardanapo. Toquei para sentir a textura delas e comprovar, o que foi reagido com uma cara amarrada e um sonoro: “Não, é minha!”. Sorri de lado para a mãe, que pediu desculpas. Apenas acenei com a cabeça, passando a observar a menininha, que de forma tão sublime cuidava daquela que intitulava filha, embalando-a no colo e cantando cantigas de ninar.

O ônibus chegou ao seu destino. Preciso agora pegar o próximo para chegar à faculdade, que por sinal já tinha algumas pessoas aglomeradas à sua porta. Entrei, me sentei e já estava me acostumando àquela situação. Porém, ao olhar ao redor, grande decepção: todos com suas cabeças baixas, cutucando o celular. Me entristeci e tive medo. Medo de minha bateria reviver e eu acabar como eles de novo.

Fiquei triste, pelo fato de todos eles deixarem de voltar seus olhos ao alto e contemplarem o lindo céu azul que pairava sobre suas cabeças durante todo o dia. Triste, pois muitos deles poderiam deixar o amor de sua vida descer na próxima parada, sem ao menos ter a chance de, por alguns segundos, encará-lo nos olhos. E não por um deslize humano, mas por não saber que o destino os havia encaminhado até ali, mesmo que por um curto espaço de tempo. E mais uma vez, triste, por sequer reservarmos um tempo para contemplar a beleza e a docilidade do outro, por querermos estar vinte e quatro horas antenados no mundo das notícias, querendo estar mais perto daqueles que chamamos de amigos, comunicando sempre às pessoas ‘o que estou fazendo’, ‘o que estou pensando’.

Neste fim, declaro: deixe sua bateria acabar de vez em quando. É libertador, leve, livre. E te garanto que vai valer à pena.

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Goianiense do pé rachado, sonhadora de pé no chão, Ana Gabriella Regis11139794_795672010509753_1188859606_n é acadêmica de Jornalismo na Universidade Federal do Tocantins e ama o que faz. Independente da sua chuva de negatividades.



Que fique claro

Éramos apenas projetos do que queríamos ser, protótipos, plano B, versão Beta. Um amontoado de células e sentimentos. Éramos o começo de tudo e ainda assim queríamos fazer história, escrever sobre o que sentimos, pensamos, queremos. Aprendemos a nos amar, de formas diferentes, cada um de nós. Aprendemos também uma série de outros sentimentos não tão nobres, não tão grandes, não tão sábios.

Nós queríamos mudar o mundo, não queríamos mudar o que havia dentro de nós e começamos errado, continuamos errando, mas o melhor de tudo ainda estava em nós. O desejo de fazer certo.

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Carta para meu futuro amor.

Meu Futuro amor, Deixa livre. Deixa ir. Deixe-se ir. Preocupe-se, mas não se entregue aos problemas. É assim que vou reconhecer você. Quando eu te olhar, vou enxergar asas em você, não que eu queira que você voe pra longe de mim, é só que quero ter a certeza de que vou ter com quem voar, porque sinceramente já cansei de voar sozinho. Aqueça. Se aqueça. Aqueça-me quando chegar. Não se entregue ao frio, ouça o que digo pelo menos dessa vez. Bem sei o que é se sentir frio. E quando eu te olhar, vou sentir calor emanando de seu sorriso, da sua voz, do seu olhar. É assim que vou saber quem você é. Viva. Exista. Apareça na minha vida do nada. Numa fila de banco, ou na fila da padaria. Esbarre em mim na rua. Me encare numa festa. Mas por favor, não me deixe passar por você e não te ver. Não passe despercebido. Acene, sorria, grite. Mas só se sentir que sou aquele pra quem você também escreve.

Foto desenho Ana Vitória R. Cunha

Foto desenho Ana Vitória R. Cunha

Não se precipite, pois saiba que também não o farei. Quando você chegar, vou te inspecionar. Não me ache exigente, é que da última vez que deixei alguém deliberadamente entrar, ela saiu levando tudo, e foi tão difícil preencher o vazio, sabe? Não quero cometer o mesmo erro outra vez. E quero ser inspecionado, pois não quero ser aquele a levar tudo que você tem. Não quero ter essa bagagem na minha vida.R. Cunha

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Coisa de mãe


Quando te descobriu escondidinho lá dentro do útero, tua mãe levou um susto creio eu. Não sabia o que fazer direito, nem o que esperar, ela só sabia que queria esperar, esperar você. Ela sabia muito bem que não seria fácil, mas ela se agarrou a ti, assim como você a ela, e tirou forças do amor que não entendia direito, mas ela não queria entender mesmo, só queria amar. Um amor confuso no início, que foi crescendo e ficou de um tamanho que medida nenhuma é capaz de mensurar.

A aventura começou mesmo foi quando você quis escapulir de sua tão aconchegante morada, e resolveu dar as caras por aqui. Foi aí que começou o corre-corre, o choro, o desespero, e uma alegria imensa de te ter por aqui, de te ter por perto. Até consigo visualiza-la te olhando enquanto –finalmente- dormia, imaginando toda tua trajetória de vida de umas cinco maneiras diferentes em questão de segundos, e pegando na tua mãozinha e acariciando-a, como quem quisesse que aquele bebê nunca crescesse e permanecesse pra sempre inocente.

Foto desenho: Ana vitória R. Cunha

Foto desenho: Ana vitória R. Cunha

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Sr. Segunda-feira

Foto acervo montagem O Correio Tocantinense

Foto acervo montagem O Correio Tocantinense

No meu aniversário de 16 anos, meu primo Tiago me deu de presente o livro Sr. Segunda-feira, na época eu não curtia muito livros, a fase das baladas havia me roubado um pouco do interesse pela literatura. Mas foi este livro que me fez voltar a ler. No final eu percebi que havia uma continuação mas nunca consegui encontra-la. Até que em 2013 em Curitiba eu descubro em uma livraria O Horrível Terça-feira, a continuação da série. Mais tarde, em 2014, eu encontro em Palmas a Quarta-feira Submersa. Desde então estou lendo os livros da série, e procurando-os como um quebra-cabeça para seguir com a história.

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