A louca mente de Beija Flor.

“- E se eu não conseguir?”, ela me perguntava vez por outra.  “- E se eu tiver medo?”.  Ela, que chamarei aqui de Beija Flor, insistia numa fraqueza que não tinha. Insistia num medo que não sentia. Agarrava-se á uma insegurança que não era dela. Ela é confusa, me permito dizer. Ama a natureza, mas possui um medo de si mesma que às vezes me parece incontrolável, e às vezes, me parece que nem existe.

Beija Flor é de fases. De momentos. À noite vira criança, com a mente derretida por um doce que amarga em sua boca. Ela sorri, e a gente sorri junto pelo simples fato de que ela exala alegria. Mas quando resolve derramar suas lágrimas, todos ao seu redor se vê chorando, dividindo com ela as mesmas dores, embora ninguém saiba o que se passa naquela cabeça.

“-Vamos!”, ela gritava. “-Hoje vamos morrer de amor, porque morrer de amor pode, porque de amor não dói.” Eu dizia que era morte mesmo assim, e que eu não queria morrer. Mas algo em seus olhos me dizia que ela já havia morrido desse amor que ela tanto clama, e que como poucas coisas em sua vida, essa morte realmente não lhe causava dor. Eu me pegava curiosa, tentando decifrar seu segredo, que toda vez mudava. Esqueci de mencionar que ela é inconstante. Busca liberdade para sua mente, que é a prisão á que ela está confinada.

Beija Flor, assim como o pássaro, busca incessantemente o néctar das flores, o adocicado sutil dos pequenos momentos em que ela se vê livre. Livre das pessoas, livre da dor, livre dela mesma. Ela busca aproveitar o sol, pois sabe que quando a tempestade cai, vem derrubando tudo.

“-E se eu não conseguir, e se eu tiver medo?”, ela pergunta. Sabendo que seria uma tola se não sentisse medo de recomeçar, afinal, todo mundo sente. Mas nem todo mundo possui a força de tirar forças do próprio medo e seguir em frente. Beija Flor possui a força, e no fundo ela sabe disso. Mas creio que Beija Flor teme a própria força. Porque ela é assim. Ela é de primavera, foi feita pra ser. Mas insiste no duro inverno.



Texto de Flavia Caixeta. Acadêmica de Jornalismo na Universidade Federal do Tocantins.

Cronista do Correio flaviaTocantinense. Gosta de ver a vida da melhor forma possível.



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2 comentários sobre “A louca mente de Beija Flor.

  1. Oi Flávia, juro que por preguiça ia deixar seu nome com inicial minúscula, porém não posso me permitir passar por esse vexame logo com uma acadêmica de jornalismo não é (rsrs), ainda mais uma que escreve tão bem, não se lembra mais estudamos boa parte do ensino fundamental juntas, enfim, gostei muito do texto, você sempre teve talento. Parabéns e sucesso, saudades.

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  2. Oi Flávia, juro que por preguiça ia deixar seu nome com inicial minúscula, porém não posso me permitir passar por esse vexame logo com uma acadêmica de jornalismo não é (rsrs), ainda mais uma que escreve tão bem, não sei se lembra mais estudamos boa parte do ensino fundamental juntas, enfim, gostei muito do texto, você sempre teve talento. Parabéns e sucesso, saudades.

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