Sobre escrever

Como num filme de fantasia, quando descobrem a fábrica de realização de desejos, ou quando encontram o pó mágico que faz com que tudo de mais magnifico aconteça, assim é escrever. Para mim pelo menos. Escrever é se apropriar de tudo aquilo que na verdade, não me pertence. E eu descaradamente o faço, e me aproprio repetidas vezes.

Sou minha própria terapeuta. O problema é que minha terapeuta é completamente louca. Ela é confusa, não sabe o que quer, mas o bom disso tudo é que ela sabe fingir muito bem que é exatamente o contrário. Eu sou cada um dos meus textos. Eu sou cada personagem. E sou nenhum deles também. Eu posso ser o que eu quiser basta que eu escreva. Basta que eu materialize em forma de palavras e BUUM, passa a ser real.

Posso ser juíza, posso ser carrasca, posso ser a mocinha e posso ser o cara mau também, por simplesmente poder ser. Posso julgar. Posso ser julgada, e não pense que minha sentença é mais leve que a dos demais. Faço questão de carregar o maior peso, porque eu também posso. Minha mente é um emaranhado de confusão. É um debate interno incessante.  Mesmo quando a decisão já está tomada, eu ainda tenho dúvidas sobre ela.

Agora mesmo, não sei o que me fez querer escrever sobre algo tão pessoal quanto meu ritual de escrita, mas aqui estou eu, com o coração na mão, escrevendo sobre uma das coisas que mais me deixa feliz, angustiada e aliviada, tudo isso e muito mais ao mesmo tempo. Não sei o que me fez querer, nem sei se deveria continuar, mas nem que seja pra guardar para mim mesma, preciso tornar real tudo o que vaga sem nexo e sem contexto pela minha mente.

Eu não sei o que fazer, eu sou confusa, minhas escolhas nem sempre condiz com o que eu realmente quero, mas mesmo assim, as escolhas são feitas e eu lido com cada uma delas, sendo forte, ou pelo menos tentado ser, e quando eu não consigo, eu finjo que sou. Dói menos quando tem gente por perto. Mas quando sou eu e eu, não adianta ser a melhor atriz de todos os tempos, quando eu pergunto “e aí doutor, o que é que eu tenho?”, a verdade vem como navalha cortando os resquícios de mentira que eu me cerco.

Não gosto de magoar as pessoas, por isso acabo me magoando. E dói. Pesa. Sufoca. Mas ainda assim, não se compara ao peso e a dor que eu sentiria ao magoar alguém. Por isso escrevo, nem sempre bem, mas escrevo. Escrever alivia.  Basta que eu escreva que estou bem, que o peso que carrego nem pesa tanto assim, que sei exatamente o que quero e que quero coisas alcançáveis, e por um momento, tudo isso se torna real. Quem pode dizer que não é?

E quando esse momento de fantasia acaba, torno a escrever de novo. E de novo. E de novo.



Texto de Flavia Caixeta. Acadêmica de Jornalismo flaviana Universidade Federal do Tocantins.

Cronista do Correio Tocantinense. Gosta de ver a vida da melhor forma possível.



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