Jurassic World: O mundo dos Dinossauros

Em meados de 2001, quando o Jurassic Park III havia sido lançado, eu estava naquela clássica fase de sonhar em conhecer algum parque temático que fosse realmente grande e surpreendente, como o Hopi Hari, Playcenter ou até mesmo o Disney World. Pois é, nenhuma dessas coisas aconteceram até 2006 quando fui pela primeira vez no Beto Carrero World. Como eu ainda era uma criança, tudo aquilo parecia gigante e sem-fim, já que você passava o dia inteiro no parque e mesmo assim não conferia tudo que ele poderia oferecer. O fato é que depois que cresci nada daquilo parecia me surpreender mais, até eu conhecer por meio das telas de cinema o Jurassic World.Jurassic_World

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História repetida

Era uma vez, num reino não tão distante, uma princesa solitária, que vivia em sua cabeça um conto de fadas imaginário. Por sorte ela esquecia sua solidão vez por outra, quando mergulhava tão profundamente na fantasia construída por ela. “Eu sou feliz”, ela dizia, sem saber que a felicidade que encontramos geralmente é vivida, e não imaginada. “Eu não preciso de mais ninguém”, ela insistia sem se dar conta de que todas as lágrimas derramadas involuntariamente partiam de seu coração, que de tão vazio transbordava.  “Eu sou feliz”, ela reforçava, sem acreditar nem por um segundo em suas palavras.

Um dia, ao passear pelo bosque de seu reino, ela resolveu ir mais adiante, mais distante, pois depois de todo o sentimento reprimido, ela se deu uma chance de ir descobrir novos caminhos. Encontrou flores que nunca tinha visto, e se viu em animais assustados, que fugiam dela, que se tornou uma completa intrusa. Viu-se sempre fugindo dos intrusos, que assim como ela, eram inofensivos.

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Rotina

Acordo às seis. Higienizo-me. Tomo café da manhã. Pego o ônibus. Chego ao trabalho geralmente atrasada. Sento-me em frente a um computador por 6 horas, salvo a pausa para almoço e às duas da tarde volto pra casa. No caminho, fones de ouvido, viajando nas músicas da minha lista de reprodução, imaginando histórias que eu poderia viver e as infinitas coisas que eu poderia fazer, me deixando levar pelo êxtase do som do saxofone em uma música, pelo choro de uma gaita em outra, por solos de guitarra e pelo baixo maravilhosamente tocado nas músicas da banda Cage The Elephant. Logo meus devaneios se acabam, está próximo o ponto em que desço do ônibus. Mas logo os devaneios começam novamente e me pego cantando no caminho que sigo a pé para casa. Às veze um ou outro ouvem meu canto reprimido e tímido, mas eu não me importo, sigo cantando mesmo assim. Enfim chego em casa, cheia de planos. Preciso lavar minha roupa, meu all star surrado por excesso de uso, continuar com o livro que comecei a ler, dar uma olhada nos conteúdos da faculdade, me preparar pra ir correr na praça para que assim minha consciência não pese tanto por comer as porcarias que tanto amo, escrever as coisas que martelam em minha cabeça e que me parecem realmente geniais, mas só enquanto continuam na minha cabeça. Tudo por agua abaixo. Ao chegar em casa, me livro das roupas que me sufocam, bebo água, olho em volta pensando em tudo que tenho que fazer e a única coisa que enxergo é minha cama, no cantinho direito do quarto, me olhando nos olhos e me dizendo que se eu permitir, tudo vai ficar bem. Não penso duas vezes. “É só por 5 minutinhos”, digo a mim mesma, com a consciência de que no dia anterior eu tinha dito a mesma coisa, e acordado as oito da noite, tentando lembrar dos estranhos e rotineiros sonhos que me visitam toda tarde. E como o previsto não dá outra. Acordo as cinco da tarde, olhando em volta e me lamentando que é tarde demais pra fazer o que eu tenho que fazer, e decido que vou deixar pra fazer amanhã. Mas eu já sei o que vai acontecer amanhã. Eu vou inventar a mesma desculpa e vou fazer as mesmas coisas, jogando minhas responsabilidades pra um amanhã que sei que vai ser o mesmo. Passo a noite deitada, ouvindo música ou assistindo pela sexta vez um filme qualquer que tenho salvo em meu computador. Tomo banho, como alguma coisa, escovo os dentes, e vou pra cama de novo, só que desta vez estou de pijama. Durmo e sonho que faço coisas incríveis. Sonho que busco novos lugares, vivendo novas aventuras, como exterminar zumbis com meus amigos, que sempre estão presentes. Sonho que faço algo. Algo importante, divertido, diferente.

Tristemente concluí que vivo sonhando com a vida, enquanto durmo pra ela.

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A Ditadura da Beleza e as vitimas opressoras

O padrão de beleza evoluiu ao longo dos séculos, ao deixar de ser um recurso unicamente de reprodução para se tornar ostentação de imagem e status social. A beleza cobrada no mercado social é fabricada artificialmente, no qual as pessoas acreditam que tal beleza possa garantir sua felicidade. Isso faz com que as pessoas se desviem da principal beleza, a interna.

Os gregos foram os primeiros a esmerar-se com a beleza, Afrodite e Narciso, são as melhores representações do que é belo e perfeito na mitologia grega. Os padrões de beleza moldam-se com o tempo, e podem tornar-se uma ditadura, na medida em que cobram mais do que se pode fazer.  Ao aceitar as injunções impostas pela sociedade, automaticamente as pessoas se corroboram com tais imposições, e buscam incessantemente pela presença e aparência notada, a fim de serem consumidas, de alguma forma, pelos interesses alheios. Sem perceber que ao valorizar somente o aspecto exterior, o interior adoece, preenche-se assim o vazio do aspecto interior com o aspecto exterior.

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A meia-noite dos tambores silenciosos

Já brinquei de dublar cantoras cafonas para o meu pai dar a nota final. Um amigo e eu já demos uma volta a mais no quarteirão com os vidros da janela do carro baixados só porque a próxima faixa do cd era “Bette Davis Eyes” e canções como essa exigem vento na cara. Eu já quis ser a mocinha do filme. Eu chorei quando o Spit (personagem do Takeda) conta a morte da sua mãe. Eu já brinquei de bilboquê numa exposição do artista plástico Julio Villani e achei divertido e poético. Eu já liguei pra’quele garoto lindo só pra ouvir sua voz e desliguei (e que falta faz a ausência dos celulares e dos identificadores de chamada nessas horas?!!!). Eu já tive uma pista de dança só pra mim ao som de “The Killing Moon”. E já tive um dj só pra mim. O mais requisitado. O mais importante da noite.

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Entre Abelhas

Ultimamente tenho refletido sobre como as coisas mudaram nos últimos anos, especialmente nas minhas amizades. Todos os amigos que eu fiz nos tempos de ensino fundamental e médio simplesmente desapareceram. Com o tempo, a vida foi fazendo eles seguirem outros caminhos e assim nos distanciamos. No feriado do dia do trabalho eu aproveitei para ir a Marabá ver minha mãe, já que não poderia vê-la no dia das mães. Fiquei impressionado com a quantidade de amigos que foram embora de lá. Todos desapareceram. Assim como as pessoas desapareceram para Fabio Porchat em Entre Abelhas.

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Sobre uma coisa chamada viver

Já começo te informando que está cada vez mais difícil viver. Percebo-me morrendo todos os dias com cada inocente, com cada criança, com cada pessoa que estava se empenhando em viver mais do que eu, e ainda assim, aqui estou, dispondo de um bem tão precioso e me fingindo de morto. Reconheço que os motivos pra morrer são sim, bem convincentes, basta olhar em volta, assim como também olhando em volta é possível facilmente ver por qual motivo vale a pena viver.

E com tantos motivos pra se viver, vejo gente só existindo. Eu mesmo, por exemplo, morro todos os dias, me convencendo de que sim, meus motivos são válidos e que sim, minha dor tem que ser sentida, e já que é pra sentir dor, acabo me apropriando das dores alheias, que é pra doer tudo de uma vez. Convenço-me de que sim, minhas rotineiras mortes são nobres, mas acontece que não há ninguém pra reconhecer minha nobreza pois, ou estão ocupadas demais tentando viver ou procurando motivos pra morrer, assim como eu às vezes.

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Foto Desenho Ana Vitória R. Cunha

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Uma guerra sem rumo

Você já parou para pensar nos benefícios que a descriminalização das drogas poderia trazer a seu país? A começar pela diminuição dos gastos com a proibição que inclui prisões, encarceramento e acusações. É muito difícil reconhecer que uma política fracassou, é mais fácil apontar pequenas conquistas do que assumir que tal política adotada não atingiu os objetivos estipulados. É hora de repensar!

A guerra às drogas é desumana e prejudica principalmente o cidadão. 56% das mortes no Brasil são por tráficos de drogas. Nosso sistema carcerário é o quarto maior do mundo, onde 32% dos presos são por tráficos de drogas. O Brasil gasta por ano 40 mil reais por preso, enquanto o mercado negro fatura 300 bilhões de dólares ao ano. E se esse valor fosse revertido em impostos e destinado à recuperação dos usuários, a saúde pública, educação e segurança?

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Os Vingadores 2 – A era de Ultron

Neste mês eu conheci um dos lugares mais incríveis do Brasil, Porto Seguro. De passagem pela cidade para o congresso Conecades, eu tive a oportunidade de ver bem perto o suposto lugar onde os portugueses desembarcaram em 1500. O congresso me proporcionou momentos inesquecíveis, desde a visita a cidade até as melhores pessoas que eu poderia conhecer. Acho que esta é a palavra que resume a minha viagem, conhecer. Selma, minha tia, que também é jornalista, me disse uma vez que todo jornalista precisa ter a curiosidade e a coragem de conhecer as coisas, sem medo de se arriscar. Bem, parece que os vingadores, subestimaram o significado da palavra conhecer.

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Tentando proteger o planeta de ameaças como as vistas no primeiro filme, Tony Stark (Robert Downey Jr) busca construir um sistema de inteligência artifical que cuidaria da paz mundial. O projeto acaba dando errado e gera o nascimento de Ultron (voz de JamesSpader). Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro, Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo), Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) terão que se unir mais uma vez para salvar o mundo.

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Fim

Eu penso sobre o fim. Gosto de fazê-lo e mais do que isso, não consigo deixar de pensar sobre o fim das coisas, das pessoas, dos momentos. Imagino o fim do que acabou de começar, talvez seja por querer adiar o máximo possível desse fim, talvez seja por saber que nem todas as coisas duram pra sempre, talvez eu só queira estar preparada para o momento que eu sei que irá chegar, embora eu não queira. Talvez sejam todos os ‘talvez’ juntos.

Foto desenho Ana Vitória R. Cunha

Foto desenho Ana Vitória R. Cunha

E é por isso que eu gosto tanto de fotografia. É simplesmente mágico o poder que tem de parar um momento antes que ele acabe. Eterniza-se um abraço e uma pessoa se vê pra sempre sorrindo. É reconfortante saber que aquele momento específico não vai acabar e que aquela risada vai ecoar pra sempre na mente de quem se deparar com tal foto.

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