Cidades de Papel (Paper Towns)

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Não importa quantas garotas passem pela vida de um garoto, sempre haverá 2, 3 ou até 4 que marcarão a sua vida até a morte. Quentin Jacobsen tem sua adolescência marcada pela misteriosa Margo Roth Spielgeman, que indiretamente obriga o garoto a aproveitar os seus últimos dias no ensino médio da melhor forma possível. Em meus 20 anos de vida, já apareceram 3 Margos que me fizeram viver na mesma cidade de papel que Quentin, cada uma de um jeito diferente.

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Meu amigo Pedro

Pedro nasceu em um dia qualquer, ás 16 horas daquele dia comum. Cresceu em um bairro meia-boca. Era o mais comedido do grupo de garotos da rua de baixo. Não conseguia se impor em nada. Nunca conseguiu ser herói de ninguém, nem dele mesmo. Tão menos soube ser vilão. Não sabia articular a sua vontade acima de algum pudor, moral ou qualquer outra coisa suja, feia, desrespeitosa. Não que fosse correto, também não era, mas se atrapalhava nos conceitos. Confundia maus modos com maldade. Dava a mesma importância dos advérbios aos adjetivos com a ingenuidade de moleque. Foi insuficiente em tudo, mas não percebeu, pois fazia parte do elenco principal da sala de estar. O prognóstico de anti-heroi veio quase que sem querer. Talvez ficasse feliz se soubesse que Dom Quixote não faria melhor, mas achou por bem não arriscar comparações. Evitavam guerras entre cavalarias e possíveis check-ins em alguma rede social. Estrategicamente os tempos eram outros.

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Rotina

Acordo às seis. Higienizo-me. Tomo café da manhã. Pego o ônibus. Chego ao trabalho geralmente atrasada. Sento-me em frente a um computador por 6 horas, salvo a pausa para almoço e às duas da tarde volto pra casa. No caminho, fones de ouvido, viajando nas músicas da minha lista de reprodução, imaginando histórias que eu poderia viver e as infinitas coisas que eu poderia fazer, me deixando levar pelo êxtase do som do saxofone em uma música, pelo choro de uma gaita em outra, por solos de guitarra e pelo baixo maravilhosamente tocado nas músicas da banda Cage The Elephant. Logo meus devaneios se acabam, está próximo o ponto em que desço do ônibus. Mas logo os devaneios começam novamente e me pego cantando no caminho que sigo a pé para casa. Às veze um ou outro ouvem meu canto reprimido e tímido, mas eu não me importo, sigo cantando mesmo assim. Enfim chego em casa, cheia de planos. Preciso lavar minha roupa, meu all star surrado por excesso de uso, continuar com o livro que comecei a ler, dar uma olhada nos conteúdos da faculdade, me preparar pra ir correr na praça para que assim minha consciência não pese tanto por comer as porcarias que tanto amo, escrever as coisas que martelam em minha cabeça e que me parecem realmente geniais, mas só enquanto continuam na minha cabeça. Tudo por agua abaixo. Ao chegar em casa, me livro das roupas que me sufocam, bebo água, olho em volta pensando em tudo que tenho que fazer e a única coisa que enxergo é minha cama, no cantinho direito do quarto, me olhando nos olhos e me dizendo que se eu permitir, tudo vai ficar bem. Não penso duas vezes. “É só por 5 minutinhos”, digo a mim mesma, com a consciência de que no dia anterior eu tinha dito a mesma coisa, e acordado as oito da noite, tentando lembrar dos estranhos e rotineiros sonhos que me visitam toda tarde. E como o previsto não dá outra. Acordo as cinco da tarde, olhando em volta e me lamentando que é tarde demais pra fazer o que eu tenho que fazer, e decido que vou deixar pra fazer amanhã. Mas eu já sei o que vai acontecer amanhã. Eu vou inventar a mesma desculpa e vou fazer as mesmas coisas, jogando minhas responsabilidades pra um amanhã que sei que vai ser o mesmo. Passo a noite deitada, ouvindo música ou assistindo pela sexta vez um filme qualquer que tenho salvo em meu computador. Tomo banho, como alguma coisa, escovo os dentes, e vou pra cama de novo, só que desta vez estou de pijama. Durmo e sonho que faço coisas incríveis. Sonho que busco novos lugares, vivendo novas aventuras, como exterminar zumbis com meus amigos, que sempre estão presentes. Sonho que faço algo. Algo importante, divertido, diferente.

Tristemente concluí que vivo sonhando com a vida, enquanto durmo pra ela.

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A Ditadura da Beleza e as vitimas opressoras

O padrão de beleza evoluiu ao longo dos séculos, ao deixar de ser um recurso unicamente de reprodução para se tornar ostentação de imagem e status social. A beleza cobrada no mercado social é fabricada artificialmente, no qual as pessoas acreditam que tal beleza possa garantir sua felicidade. Isso faz com que as pessoas se desviem da principal beleza, a interna.

Os gregos foram os primeiros a esmerar-se com a beleza, Afrodite e Narciso, são as melhores representações do que é belo e perfeito na mitologia grega. Os padrões de beleza moldam-se com o tempo, e podem tornar-se uma ditadura, na medida em que cobram mais do que se pode fazer.  Ao aceitar as injunções impostas pela sociedade, automaticamente as pessoas se corroboram com tais imposições, e buscam incessantemente pela presença e aparência notada, a fim de serem consumidas, de alguma forma, pelos interesses alheios. Sem perceber que ao valorizar somente o aspecto exterior, o interior adoece, preenche-se assim o vazio do aspecto interior com o aspecto exterior.

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Uma guerra sem rumo

Você já parou para pensar nos benefícios que a descriminalização das drogas poderia trazer a seu país? A começar pela diminuição dos gastos com a proibição que inclui prisões, encarceramento e acusações. É muito difícil reconhecer que uma política fracassou, é mais fácil apontar pequenas conquistas do que assumir que tal política adotada não atingiu os objetivos estipulados. É hora de repensar!

A guerra às drogas é desumana e prejudica principalmente o cidadão. 56% das mortes no Brasil são por tráficos de drogas. Nosso sistema carcerário é o quarto maior do mundo, onde 32% dos presos são por tráficos de drogas. O Brasil gasta por ano 40 mil reais por preso, enquanto o mercado negro fatura 300 bilhões de dólares ao ano. E se esse valor fosse revertido em impostos e destinado à recuperação dos usuários, a saúde pública, educação e segurança?

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O dia em que minha bateria acabou

Como sempre, atrasada. Estranho seria se não estivesse. Às pressas, coloco tudo aquilo que me parece importante na mochila. Abro a primeira música que aparece no celular. Coloco os fones de ouvido, reforço o rabo de cavalo, ralho com meu cachorro que acaba de sujar meu jeans claro com suas patas e me olha como se fosse abandoná-lo para sempre, assim que cruzo o portão de casa.

Aí então, inicio minha caminhada rotineira de dez minutos até o ponto de ônibus. Aproveito os últimos sinais de Internet de casa para checar as mensagens do WhatsApp, limpo as notificações do Twitter que preenchem toda a parte superior da tela e quando estou prestes a abrir o print que fiz dos horários que o ônibus sai da estação mais próxima, o Android me presenteia com uma tela preta e um lindo ícone azul circundante no visor. Seria lindo se não fosse trágico: minha bateria acabara de morrer bem ali, no meio do caminho.

Tentei reanimá-lo, mas em vão. Como seriam torturantes aqueles próximos minutos eternos até a próxima estação, onde eu ainda pegaria outro ônibus para chegar ao campus. Mas agora não adianta reclamar.

Cruzo a esquina e sigo caminhando, quando avisto um lindo céu azul. Límpido, sem nenhuma nuvem, ele contrasta com uma árvore de copa alta no fim da rua, de folhas verde oliva. Essa seria uma postagem perfeita no Instagram. Queria eu que meus olhos fotografassem nesse momento.

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O fascínio pela paisagem durou pouco: vejo o ônibus chegando lentamente na avenida e corro como um raio até o ponto de parada. A busca por ar dentro do veículo jurássico é feita tão alto que passageiros começam a me encarar como uma doida recém saída do sanatório.

Acomodo-me num dos únicos assentos disponíveis. Em dias normais, à altura de uma estação como essa em que o ônibus parou agora, morreria por um sinal de wi fi. E olha que por um momento eu até peguei meu celular, apertei a tecla do meio, já prestes a deslizar o dedo para o desbloqueio da tela. É quando aquela lâmpada se acende e me lembro que não tenho bateria. Essa mesma lâmpada acomete a todos, creio eu, quando por um momento de lerdeza, numa tarde sem energia, queremos fazer um sanduíche no microondas. E o subconsciente grita: “tá sem energia, seu tapado”.

A viagem prossegue. Na próxima parada, cerca de dez pessoas entram no ônibus. Não ligo muito. Como não tenho nenhum Snap para olhar, como os rotineiros ‘boa tarde’ de pessoas que não tem mais o que fazer, observo o movimento das ruas mesmo. Não percebo que, ao me esgueirar pela janela, estico minhas pernas e esbarro nos pés de alguém logo a minha frente.

“Desculpa”, dizemos em uníssono, após um sorriso amigável dele e uma abaixada de cabeça daquelas “Senhor me esconde…” de minha parte. Os poucos segundos que nos olhamos foram de encher os olhos (ou o pouco que ainda me resta deles). Alto, de cabelos e olhos castanhos em perfeita sintonia, usava blusa de banda (Iron Maiden se não me engano. É de morrer mesmo), pulseira de hippie e tinha a maior pinta de skatista. Logo que percebeu minha ‘sem graceza’ decidiu olhar para o outro lado. Encolhi-me na cadeira e decidi fingir um cochilo até que ele descesse. Eu e essa maldita timidez.

Após algumas milhares rotatórias, ele já havia partido. Pude então respirar aliviada. Falo assim como se tratasse de um psicopata. Mas eu que sou meio coisada mesmo. Tem dias que nem eu me entendo.

Ao passar em frente ao shopping, o ônibus parou e entraram mãe e filha, se acomodando nos assentos a meu lado. A garotinha devia ter lá seus dois aninhos e me encarava com seus olhos curiosos. Estendeu sua boneca, que cruzou o corredor até a minha direção. Ela tinha roupas engraçadinhas feitas de guardanapo. Toquei para sentir a textura delas e comprovar, o que foi reagido com uma cara amarrada e um sonoro: “Não, é minha!”. Sorri de lado para a mãe, que pediu desculpas. Apenas acenei com a cabeça, passando a observar a menininha, que de forma tão sublime cuidava daquela que intitulava filha, embalando-a no colo e cantando cantigas de ninar.

O ônibus chegou ao seu destino. Preciso agora pegar o próximo para chegar à faculdade, que por sinal já tinha algumas pessoas aglomeradas à sua porta. Entrei, me sentei e já estava me acostumando àquela situação. Porém, ao olhar ao redor, grande decepção: todos com suas cabeças baixas, cutucando o celular. Me entristeci e tive medo. Medo de minha bateria reviver e eu acabar como eles de novo.

Fiquei triste, pelo fato de todos eles deixarem de voltar seus olhos ao alto e contemplarem o lindo céu azul que pairava sobre suas cabeças durante todo o dia. Triste, pois muitos deles poderiam deixar o amor de sua vida descer na próxima parada, sem ao menos ter a chance de, por alguns segundos, encará-lo nos olhos. E não por um deslize humano, mas por não saber que o destino os havia encaminhado até ali, mesmo que por um curto espaço de tempo. E mais uma vez, triste, por sequer reservarmos um tempo para contemplar a beleza e a docilidade do outro, por querermos estar vinte e quatro horas antenados no mundo das notícias, querendo estar mais perto daqueles que chamamos de amigos, comunicando sempre às pessoas ‘o que estou fazendo’, ‘o que estou pensando’.

Neste fim, declaro: deixe sua bateria acabar de vez em quando. É libertador, leve, livre. E te garanto que vai valer à pena.

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Goianiense do pé rachado, sonhadora de pé no chão, Ana Gabriella Regis11139794_795672010509753_1188859606_n é acadêmica de Jornalismo na Universidade Federal do Tocantins e ama o que faz. Independente da sua chuva de negatividades.



Que fique claro

Éramos apenas projetos do que queríamos ser, protótipos, plano B, versão Beta. Um amontoado de células e sentimentos. Éramos o começo de tudo e ainda assim queríamos fazer história, escrever sobre o que sentimos, pensamos, queremos. Aprendemos a nos amar, de formas diferentes, cada um de nós. Aprendemos também uma série de outros sentimentos não tão nobres, não tão grandes, não tão sábios.

Nós queríamos mudar o mundo, não queríamos mudar o que havia dentro de nós e começamos errado, continuamos errando, mas o melhor de tudo ainda estava em nós. O desejo de fazer certo.

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Coisa de mãe


Quando te descobriu escondidinho lá dentro do útero, tua mãe levou um susto creio eu. Não sabia o que fazer direito, nem o que esperar, ela só sabia que queria esperar, esperar você. Ela sabia muito bem que não seria fácil, mas ela se agarrou a ti, assim como você a ela, e tirou forças do amor que não entendia direito, mas ela não queria entender mesmo, só queria amar. Um amor confuso no início, que foi crescendo e ficou de um tamanho que medida nenhuma é capaz de mensurar.

A aventura começou mesmo foi quando você quis escapulir de sua tão aconchegante morada, e resolveu dar as caras por aqui. Foi aí que começou o corre-corre, o choro, o desespero, e uma alegria imensa de te ter por aqui, de te ter por perto. Até consigo visualiza-la te olhando enquanto –finalmente- dormia, imaginando toda tua trajetória de vida de umas cinco maneiras diferentes em questão de segundos, e pegando na tua mãozinha e acariciando-a, como quem quisesse que aquele bebê nunca crescesse e permanecesse pra sempre inocente.

Foto desenho: Ana vitória R. Cunha

Foto desenho: Ana vitória R. Cunha

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Sr. Segunda-feira

Foto acervo montagem O Correio Tocantinense

Foto acervo montagem O Correio Tocantinense

No meu aniversário de 16 anos, meu primo Tiago me deu de presente o livro Sr. Segunda-feira, na época eu não curtia muito livros, a fase das baladas havia me roubado um pouco do interesse pela literatura. Mas foi este livro que me fez voltar a ler. No final eu percebi que havia uma continuação mas nunca consegui encontra-la. Até que em 2013 em Curitiba eu descubro em uma livraria O Horrível Terça-feira, a continuação da série. Mais tarde, em 2014, eu encontro em Palmas a Quarta-feira Submersa. Desde então estou lendo os livros da série, e procurando-os como um quebra-cabeça para seguir com a história.

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Análise sobre a capacitação do comércio alimentício em Palmas

Foto por Viviean Rosalves

Foto por Viviean Rosalves

A capacitação profissional sempre foi algo visto como necessário para um estabelecimento, pois demonstra a qualidade da empresa, conquista o cliente e também funciona como marketing para o comércio. Nos restaurantes e bares da capital, onde o contato entre o funcionário e o cliente se torna mais próximo, destaca-se os estabelecimentos que além de oferecer os melhores serviços, tem a capacidade de acolher e tratar o cliente de forma que ele queira retornar ao local.

Nos dias atuais se vê mais necessário ainda a capacitação, pois no atual contexto econômico o brasileiro se depara com um PIB (Produto Interno Bruto) praticamente estagnado, que cresceu apenas 0,1% no 3° trimestre de 2014, e 0,7% no 4° trimestre do mesmo ano, juntamente com aumentos dos juros e da inflação. Em cenário estadual se tem os atrasos nos pagamentos dos funcionários públicos que movem a economia estadual. Dentro deste contexto o comércio palmense já está sendo afetado, como prova pesquisa da CNC (Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo), que mede a intenção de consumo das famílias Palmenses, constatou que houve uma queda no consumo entre as famílias de classe média a alta, comparado ao mesmo período do ano passado.

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